
O estudante que transformou minha forma de ensinar
Publicado em 27 de junho de 2026
Uma história real sobre escuta, inclusão e o poder de enxergar cada aluno além das dificuldades.
Há cerca de 15 anos vivi uma experiência que mudou completamente minha forma de compreender a alfabetização e, sem que eu imaginasse, influenciou o nascimento do Projeto Alfabeti-Zar.
Na época, eu atuava na Sala de Recursos. Em um determinado dia, ao chegar à escola, encontrei uma mãe na secretaria tentando se comunicar. Como conhecia Libras, fiz a mediação daquela conversa. Foi nesse momento que compreendi que seu filho, estudante do 3º ano do Ensino Fundamental, enfrentava dificuldades significativas no processo de alfabetização.
Depois daquele encontro, conversei com a Coordenadora Pedagógica para compreender melhor sua trajetória escolar. Em seguida, junto com outra professora da Sala de Recursos, elaboramos um projeto de recomposição da aprendizagem.
Percebemos que, antes de insistir em um único caminho para ensinar, precisávamos compreender como aquele estudante construía sua aprendizagem. Essa observação nos levou a romper com uma estrutura de ensino baseada apenas na oralidade e ampliar o uso de recursos visuais, gestuais e concretos.
Em poucas semanas, o estudante ativou saberes que pareciam adormecidos. A aprendizagem começou a acontecer quando mudamos a estratégia, respeitando sua forma de compreender o mundo.
O momento mais emocionante foi ver sua mãe participar, pela primeira vez, de uma reunião escolar compreendendo plenamente o diálogo. A inclusão alcançou não apenas o estudante, mas também sua família.
Essa experiência fortaleceu minha convicção de que a educação inclusiva começa quando enxergamos a pessoa antes da dificuldade. Foi também uma das vivências que inspiraram a criação do Projeto Alfabeti-Zar e do futuro Material 4, voltado à aprendizagem por meio da visualização. 💜
